Há algum tempo quero escrever sobre esse assunto. Mais precisamente desde quando um cliente me questionou se valia mais a pena fazer uma ação com Blog Regional, de baixa a média audiência ou com blogueiras celebridade, conhecidas em todo o território nacional. A resposta eu ainda hesito em dar.

Sou uma defensora ferrenha da regionalização, seja culturalmente, seja como ferramenta e estratégia de negócio. Grupos empresariais como o RBS estão aí pra nos provar que dá certo. Mas e quando se fala de blogs? Se a internet é a suposta materialização da aldeia global, como usar um espaço com tal característica para gerar resultados localmente?

blog regional

Com uma pesquisa simples cheguei a alguns apontamentos que gostaria de compartilhar, e que podem ser positivos tanto para produtores de conteúdo quanto para a galera do marketing.

O leitor quer preservar e experimentar a cultura local

Utilizando o Uber Suggest para verificar variações do termo “blogs regionais” percebi que grande parte das variações se refere a questões culturais, como culinária, artesanato, festas regionais e coisas do tipo. Daí presumo que quem está buscando tem uma coisa em mente: conhecer algum aspecto da cultura local e/ou reforçar um paradigma. Como produtor de conteúdo torna-se interessante ser uma fonte de informação, não?

O leitor quer dialogar com quem fala a sua língua

O Brasil é muito extenso e a maior das ingenuidades possíveis é homogeneizá-lo. Só aqui você sai de manhã num vôo de São Paulo com três blusas e um cachecol e 1h30 depois aterrisa em Goiânia num sol de mais de 30º (como aconteceu com a pobre aqui esses dias). Acho o maior barato às vezes conversar com pessoas de outras regiões e não entender bulhufas do que ela está dizendo.

O print tirado do insights ilustra de uma forma bastante simples o quanto somos diferentes até na hora de buscar no Google. A barra azul indica a busca pelo termo “sapato” e a vermelha pelo termo “calçado”. Observem as variações de interesse por região, para dois termos que significam a mesma coisa. Se o próprio Google leva em consideração a localização para dar resultados de busca, quem somos nós para negar a importância disso? =P

O leitor quer o que está próximo e palpável no blog regional

Fiz uma pesquisa para esse mesmo cliente do qual falei no começo do post e uma das coisas que me chamou a atenção foi que mesmo com a possibilidade de comprar online, mais de 70% dos entrevistados preferia entrar no site, saber mais sobre o produto e ir comprar na loja.

Claro que isso não é uma generalização, mas por mais que o comércio online cresça, as lojas físicas ainda tem vida longa e próspera o suficiente pela frente. O “ver com as mãos” ainda faz parte de nossa cultura e dificilmente perderá espaço na minha opinião. Outra coisa que mostra isso é o fato de que em fórums, grupos e comunidades, o ato de “marcar encontrinhos” e estabelecer conexões físicas nunca deixou de ser uma máxima no ciberespaço.

Por fim…

Voltando ao questionamento inicial, dependendo do objetivo eu recomendaria fortemente a seleção de players cuja influência local é maior. Aliás a quase totalidade das ações bem sucedidas nas quais estive envolvida com esse e outros clientes tinham fortíssimo apelo regional.

Eu mesma tive durante um período um blog chamado Pés Rachados, que mostrava um viés irônico e debochado da cultura goiana. Mesmo tendo desativado o blog há mais de dois anos até hoje ainda recebo comentários e elogios.

No fim das contas, metaforicamente e em goianês, você pode até sair e comer alguns hamburgueres mas no fim das contas o que queremos mesmo é voltar pra casa e comer um bom prato de arroz com pequi. Para os anunciantes fica o desafio de enxergar o horizonte além do eixo Rio-São Paulo.

Inté!

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