Godzilla (2014): Hollywood acertou no monstro, mas errou no roteiro

Depois de passados alguns anos, Hollywood tomou coragem para tentar novamente filmar “Godzilla“. Ícone da cultura japonesa, a última tentativa foi em 1998 com um filme em que um lagarto gigante, gerado a partir de testes nucleares, destrói Nova Iorque. Seria um bom filme catástrofe, só não é Godzilla.

Em 2014 já temos o melhor que os efeitos digitais podem nos oferecer. E pelo trailer, apenas com um pouquinho do que aparece do monstro, já ficamos esperançosos com o que veríamos: agora sim um Godzilla!

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Praticamente os únicos dois atores do filme…

Praticamente os únicos dois atores do filme…

Aqui no Farol NET já fizemos uma primeira crítica ao filme, mas ainda temos o que comentar como fã.

Não me entendam mal com o que vou escrever. Eu gostei do filme, mas muita coisa incomodou. Talvez fosse a expectativa, mas este que tinha tudo para ser um épico, é apenas mais um filme. Ele tem tantos probleminhas que é difícil não somar tudo e fazer várias críticas.

Começamos a falar que o filme do Godzilla só começa depois de pelo menos uma hora. Antes disso, temos uma introdução e um filme no “estilo Spielberg” de mostrar a família que se perde no meio da guerra para se encontrar no fim. Aquele drama familiar de pai que perde o filho, que se separa da esposa, que é levada por uma multidão, abandonado na rua ou qualquer coisa do gênero. São pelos menos quatro crianças abandonadas e perdidas pelos pais com olhos cheios de medo por ver um monstro gigante.

Dr. Ichiro sempre no lugar privilegiado para a vista do monstro.

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Dr. Ichiro sempre no lugar privilegiado para a vista do monstro.

Eu contabilizei também cinco cachorros, incluindo a cena clichê do cão abandonado preso na coleira enquanto a família fugia. E ainda no mundo animal, até a cena das aves voando no sentido contrário ao das pessoas, mostrando de onde vem o “perigo”, tem.

Também temos o ex-cientista problemático e cheio de ideias sobre teorias da conspiração (que logicamente está certo e ninguém acredita) e que é o mesmo cara que devia estar preso e é levado exatamente para onde ele queria ir e não deveria saber…

Ainda nos clichês, são duas cenas cruciais de encontro entre humanos e monstro que se passam, sem necessidade, em pontes, o que seria o lugar mais fácil de um monstro que mede o tamanho de um prédio destruir e evitar a passagem, matando centenas de pessoas. Claro que para fugir de um monstro que vem do mar, vamos para a Golden Gate Bridge!

Nem vou falar das ótimas cenas e emoções passadas pelo Dr. Ichiro, interpretado por Ken Watanabe, que só aparece para fazer cara de drama sempre nos lugares “privilegiados”.

Sim, o novo Godzilla está gigante e sensacional! E esse é o único motivo para irmos ao cinema.

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Sim, o novo Godzilla está gigante e sensacional! E esse é o único motivo para irmos ao cinema.

Mas finalmente vemos o Godzilla. Quer dizer, quase vemos… as cenas são escuras, em cidades sem iluminação e cercado de nuvem e poeira. Nesse momento temos quase a certeza que quem assumiu o papel de diretor foi Michael Bay.

Já fica a dica: veja o filme em 2D ou numa sala decente (IMax ou VIP) para que não tenha que sofrer com a péssima qualidade das salas de cinema que usam projetores em 70% da iluminação para economizar a lâmpada e esquecem de compensar a perda de luz dos óculos 3D.

Resumindo, é pouco Godzilla para muito drama familiar, clichês e mais clichês.

Para se redimir, o que vemos de Godzilla funciona. Realmente o monstro está mais fiel ao Gojira que conhecemos. Está gigante, o maior já mostrado até hoje, amedrontador e fazendo o que deve ser feito. Algumas cenas dele na cidade funcionam e remetem aos episódios clássicos. Para mim, 30 minutos de filme estaria bom!

Acredito que o filme, diferentemente do anterior, irá agradar aos fãs e aos não fãs. Mas vá curtir um filme pipoca e deixe o cérebro em casa. Ah, e para quem já viu o filme, selecione abaixo para comentários que não posso deixar de fazer, mas com spoilers:

Não poderia deixar de falar da cena “cômica”, na qual um monstro que detecta energia nuclear a um oceano de distância não percebe algumas “formiguinhas” americanas correndo escondidas por trás dos prédio com um míssil munido de uma ogiva enquanto estes se digladiam ao fundo. Sério mesmo?

Por que levar as ogivas de trem quando elas depois foram transportadas facilmente de helicóptero?

Mas vale muito por ver Godzilla detonando outros monstros e destruindo tudo. O golpe fatal foi foda!

;-)

E claro que no fim a família se encontra e vivem felizes para sempre numa cidade devastada.

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